top of page
Buscar

O imóvel não está feio. Está difícil de ler.

  • Foto do escritor: Sónia Diniz
    Sónia Diniz
  • 19 de jan.
  • 2 min de leitura


Há imóveis que não têm nenhum “problema grave”.

Não estão degradados. Não estão sujos. Não estão “horríveis”.


E mesmo assim… não vendem. Ou ficam ali, a acumular semanas, visitas e dúvidas.


Quando isso acontece, muitas vezes o imóvel não está feio. Está confuso.


Um imóvel difícil de ler é aquele onde:

  • não se percebe a função das divisões,

  • o olhar não sabe onde pousar,

  • a circulação parece apertada (mesmo quando há espaço),

  • há demasiada informação a acontecer ao mesmo tempo,

  • a fotografia não ajuda, porque a lente amplifica a confusão.


E isto é importante: o comprador não entra para fazer um exercício de imaginação profundo. Entra com pouco tempo, pouca paciência e muitas opções na cabeça.


Se ele tiver de “trabalhar” para perceber o espaço, o cérebro faz o mais fácil: desliga.


Eu vejo isto muitas vezes em imóveis habitados, porque é normal que a vida ocupe espaço. Mas também vejo em imóveis vazios: espaços frios, sem escala, onde a pessoa não consegue perceber se cabe uma cama maior, um sofá confortável, uma mesa que faça sentido.


Um imóvel precisa de pistas.


Não muitas. As certas.


Uma mesa com cadeiras a indicar “aqui come-se”.Uma cama bem proporcionada a dizer “aqui descansa-se”.Uma sala com uma disposição clara a dizer “aqui vive-se”.


E, sobretudo, precisa de silêncio visual.

O silêncio visual não é vazio.É ausência de ruído.


É retirar o que distrai para que o que interessa apareça.


Porque quando o imóvel é fácil de ler, acontece uma coisa muito concreta: as pessoas relaxam. E quando relaxam, começam a imaginar. E quando imaginam… aproximam-se da decisão.


Por isso, muitas vezes, a pergunta certa não é:“Está bonito?”

É:“Está claro?”

 
 
bottom of page