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Arrumar não é preparar

  • Foto do escritor: Sónia Diniz
    Sónia Diniz
  • 7 de jan.
  • 2 min de leitura

Há uma diferença que parece pequena, mas muda tudo.


Arrumar é pôr as coisas no sítio.

Preparar é pôr o imóvel a comunicar.


Eu posso entrar num imóvel impecavelmente limpo, com tudo arrumado, e ainda assim sentir: “não sei bem o que fazer com este espaço”. E isso, para quem está a visitar, é um problema. Porque ninguém quer ter trabalho mental numa visita. As pessoas querem perceber rápido: “Eu vivia aqui?”


Arrumar resolve o caos.

Preparar resolve a mensagem.


Quando um imóvel está só arrumado, muitas vezes continua:

  • com demasiado “eu” (rotinas, coleções, hábitos à vista),

  • com demasiado ruído (muitos objectos pequenos a competir),

  • com pouca hierarquia (não se percebe o que é suposto ser o foco),

  • com pouca fluidez (circulação apertada, mobiliário a “trancar” percursos).


E depois acontece o clássico: “Não sei… está bonito, mas não sinto.”


Preparar não é tornar tudo neutro e sem vida. É criar condições para a vida do comprador entrar ali, nem que seja por 10 minutos.


Às vezes a preparação é simples:

  • tirar metade dos objectos de uma superfície,

  • libertar a entrada para não parecer “apertada”,

  • alinhar a função de uma divisão (para não ficar “meio escritório, meio arrumos”),

  • acertar escala (um tapete pequeno consegue encolher uma sala inteira),

  • deixar o olhar respirar.


Preparar é um acto de respeito: pelo imóvel e por quem o vai avaliar.


E sim: é normal que custe.

Porque mexe em rotinas, em conforto e até em orgulho. Mas é precisamente por isso que funciona — porque muda a forma como o espaço é lido.


No fundo, preparar é isto:

fazer o imóvel deixar de parecer “um sítio onde alguém vive” e passar a parecer “um sítio onde alguém pode viver”.


 
 
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